Não-Comestivel Pinhão-Manso / Máquina De Colheita.

O pinhão-manso – jatropha curcas L –  é originário da América do Sul e foi introduzida por navegadores portugueses nas Ilhas do Arquipélago Cabo Verde e Guiné, de onde se disseminou pelo continente Africano.

Sua distribuição geográfica é bastante vasta, por conta da sua rusticidade e resistência a longas estiagens, bem como a pragas e doenças, sendo adaptável a condições edafoclimáticas muito variáveis, desde o Nordeste do Brasil até São Paulo e Paraná. O pinhão-manso desenvolve-se bem tanto nas regiões tropicais secas como nas zonas equatoriais úmidas, bem como nos terrenos áridos e pedregosos, podendo, sem perigo, suportar longos períodos de secas. Encontra-se desde a orla marítima, ao nível do mar, até 1.000m de altitude, sendo o seu cultivo mais indicado em regiões que apresentem entre 500 e 800m de altitude. Nos terrenos de encosta, áridos e expostos ao vento, desenvolve-se pouco, não ultrapassando 2m de altura.

O pinhão-manso, também conhecido como pinhão do Paraguai, purgueira, grão-de-maluco, pinhão-de-cerca, medicineira, pinhão-do-inferno, pinhão bravo, dentre outros, pertence à família das Euforbiáceas, é um arbusto de dois a três metros de altura podendo alcançar até cinco metros ou mais, em condições especiais, com diâmetro do tronco de até 15cm. Possui raízes curtas e pouco ramificadas, caule liso, de lenho mole e medula desenvolvida, mas pouco resistente; floema com longos canais que se estendem até as raízes, nos quais circula o látex, suco leitoso, que ocorre com abundância ao menor ferimento. O tronco ou fuste é dividido desde a base, em compridos ramos, com numerosas cicatrizes produzidas pela queda das folhas na estação seca.

As folhas do pinhão são verdes e brilhantes, largas e alternas, com três a cinco lóbulos e pecioladas, com nervuras esbranquiçadas e salientes na face inferior. Possui floração monóica, apresentando na mesma planta, mas com sexos separados, flores masculinas, em maior número, nas extremidades das ramificações e femininas nas ramificações, as quais são amarelas esverdeadas. O fruto é capsular ovóide com diâmetro de 1,5 a 3,0cm. É trilocular (75% dos frutos), às vezes bilocular (25% dos frutos), com uma semente em cada cavidade, indeiscente, inicialmente verde, passando a amarelo, castanho e por fim preto, quando atinge o estado de maturação. Contém de 53% a 63% de sementes e de 37% a 47% de casca, pesando cada uma de 1,53 a 2,85g, variando com o tamanho do fruto.As sementes são relativamente grandes; quando secas, medem de 1,5 a 2cm de comprimento e de 1,0 a 1,3cm de largura; tegumento rígido, quebradiço, de fratura resinosa. Debaixo do invólucro da semente, existe uma película branca, cobrindo a amêndoa; albúmen abundante, branco, oleaginoso, contendo o embrião provido de dois largos cotilédones achatados. A semente de pinhão, que pesa de 0,551 a 0,797g, pode ter, dependendo das condições ecológicas, tratos culturais, etc., de 33,7% a 45% de casca e de 55% a 66% de amêndoa. Nessas sementes, segundo a literatura, em média são encontradas, ainda, 7,2% de água, 37,5% de óleo e 55,3% de açúcar, amido, albuminóides e materiais minerais, sendo 4,8% de cinzas e 4,2% de nitrogênio. A semente contém 27,90% a 37,33% de óleo e na amêndoa se encontra de 5,5% a 7% de umidade e de 52,54% a 61,72% de óleo. Para Braga (1976), a semente de pinhão manso contém de 25% a 40% de óleo inodoro, fácil de se extrair por pressão, empregado na fabricação de tintas e sabões e na lubrificação e iluminação pública, pois dá boa chama sem esfumaçar e sem odor.

Além de produtor de semente oleaginosa, o pinhão-manso pode ser utilizado para diversos fins, tais como cercas vivas, com a vantagem de ser repelente aos pequenos e grandes animais que não a tocam, em conseqüência do látex cáustico; serve de suporte para plantas, visto que o tronco possui casca lisa e macia; e serve como fixador de dunas na orla marítima.

Na medicina doméstica, aplica-se o látex da planta como cicatrizante, hemostático e também como purgante. As raízes são consideradas diuréticas e antileucêmicas e as folhas são utilizadas para combater doenças de pele. As sementes são utilizadas como purgativo, verificando-se casos de intoxicação em crianças e adultos quando as ingere em excesso, o que pode ser perigoso e até fatal. Atribuem-se as propriedades tóxicas do pinhão a uma globulina, a curcasina, e também ao ácido jatrópico, de toxicidade igual ou superior à da ricinina contida nas sementes da mamoneira

A torta do pinhão-manso é um excelente adubo orgânico, rico em nitrogênio, fósforo e potássio, embora apresente princípios tóxicos pela presença de curcina, ésteres de forbol, saponinas, inibidores de protease entre outros, entretanto quando desintoxicada serve como excelente ração para aves, bovinos e peixes, contém em média 54% de proteína, apresentando teor de aminoácidos essenciais superiores às referencias protéicas divulgadas pela FAO, com exceção da lisina.

Os métodos de cultivo do pinhão-manso são semelhantes aos da mamona, podendo, além da reprodução por semente, ser também multiplicado por estacas. As plantas oriundas de sementes são mais resistentes e de maior longevidade, começam a produzir aos seis meses, atingindo estabilidade produtiva após quatro anos, enquanto que as provenientes de estacas são de vida mais curta e sistema radicular menos vigoroso, mas começam a produzir mais cedo. Quando obtida por via sexual, em boas condições de produção, a longevidade desta euforbiácea é de 30 a 50 anos (esta é a grande vantagem de cultivar esta oleaginosa). Embora caracterizada como uma espécie rústica capaz de produzir nas mais diferentes condições edafoclimáticas, o pinhão-manso apresenta melhor desenviolvimento em solos profundos, bem estruturadas e pouco compactados para que o sistema radicular possa se desenvolver e explorar maior volume de solo, satisfazendo a necessidade da planta em nutrientes. Devem ser evitados os solos muito argilosos, rasos, com umidade constante, pouco arejados e de difícil drenagem.

Em solos ácidos, com pH abaixo de 4,5 as raízes do pinhão não se desenvolvem satisfatoriamente, sendo necessário a realização de calagem com base na análise química do solo, a qual indicará a quantidade de calcário, gesso, macro e micronutrientes necessários para satisfazer a exigência da cultura. A calagem deve ser realizada cerca de 3 meses antes do plantio, com o calcário incorporado a uma profundidade de até 20 cm do solo, em duas aplicações, antes da aração e quando da gradagem específica para a correção do solo.

A produção ou produtividade do pinhão-manso varia muito, dependendo da região, método de cultivo e tratos culturais, bem como da regularidade pluviométrica e fertilidade do solo. O rendimento médio dessa cultura varia de 600 a 1.500 kg de sementes por hectare a partir do segundo, porém sugere-se que a produção estabilize a partir do quarto ano de idade. Quando cultivadas em condições irrigadas, a expectativa é de dobrar a produção.

Quanto a presença de pragas e doenças, deve ter sempre o cuidado, de acompanhar, pois têm sido verificadas no Brasil ocorrência de algumas de pragas, tais como: formiga saúva, formiga “rapa-rapa”, ácaro-branco, ácaro vermelho, trips, oídio, cupins e percevejos.