TAM Vôo De Demonstração.

Tam anuncia que fará vôo de demonstração com óleo de pinhão-manso (jatropha) bio-combustível.

Uma bio-querosene feita a partir do óleo de pinhão-manso e a querosene convencional de aviação é a mistura que dá origem ao combustível que a Tam usará em um vôo experimental no segundo semestre deste ano. “Há um ano e meio a companhia aérea estuda a possibilidade de usar esse biocombustível que reduz em até 80% as emissões de carbono na atmosfera, segundo estudos realizados”, afirmou Líbano Barroso, presidente da Tam, em coletiva de imprensa na manhã de hoje (27/06).

A aeronave usada para o vôo será um Airbus A320 em operação na frota da companhia e motores CFM56-5B produzidos pela CFM International, uma joint venture entre a GE dos Estados Unidos e a Snecma (Safran Group) da França. O avião irá partir do Aeroporto Galeão (RJ) sem passageiros, voar por aproximadamente 45 minutos e retornar ao seu ponto de partida.

Rafael Abud, diretor financeiro da Associação Brasileira de Pinhão Manso (ABPPM), contou aos presentes que o produto usado é 100% brasileiro, oriundo de projetos de agricultura familiar. “Além disso, o cultivo do pinhão-manso pode ser feito em qualquer tipo de terra, mesmo as inférteis e também não prejudica a criação de gado”, acrescenta Barroso.

Segundo o presidente da Tam, a companhia já investiu US$ 150 mil na compra de nove toneladas no produto e em todo projeto que envolve o uso do biocombustível. Barroso afirma que o custo do produto quando puder ser comercializado não deve ser muito diferente do combustível convencional. Porém, a companhia investe em compra de aeronaves mais leves, como os  22 Airbus A350, que chegam a partir de 2013. “O A350 é 20% mais leve que os aviões usados atualmente pela Tam. Sendo assim, reduziríamos o uso de qualquer combustível em 20%”, completa Barroso. Na compra dessas novas aeronaves e das novas A 330, que serão entregues entre 2013 e 2022, a Tam investiu US$ 6,9 bilhões.

A companhia aérea estuda junto à ABPPM meios de desenvolver a produção sustentável do pinhão-manso em escala comercial. Segundo a Associação, existem 60 mil hectares de plantação em todo o Brasil. A previsão é que até 2020 aumente para 750 mil hectares, o suficiente para produzir biocombustível para 10% da frota aérea brasileira. Outras matérias-primas testadas, como a soja, necessitariam de um espaço muito maior.

Paulus Figueiredo, gerente de combustíveis da Tam, acrescenta que em outros países, o biocombustível a partir do pinhão-manso já foi usado com sucesso. Ele seria o mais adequado, se comparado com os combustíveis gerados a partir de algas e camelina, matérias-primas indicadas pela The Air Transport Association (IATA). De acordo com Figueiredo, os testes com pinhão manso foram feitos apenas em Boeings, a experiência realizada pela Tam com o Airbus será a primeira.